O LEITE E O SEU SEGREDO

Na década de 1.960, Auriflama passou por várias transformações. Entre tantas, relato algumas presenciais (eu estava lá).

Durvalino Girotto e seu cunhado Alfio Frederico Sbroggio deixavam o ramo de secos e molhados – “venda”, localizada na rua João Pacheco de Lima, adquirida (ponto e estoque) pela família Lopes (Fernando, Antonio) da cidade de Pereira Barreto.

Alfio e Durvalino, profissionalmente, mudaram radicalmente: de “secos e molhados” para “concessionária de automóveis”. Iniciava-se aí a construção do prédio que abrigaria a Sbrogicar, revenda autorizada de veículos Volkswagen e suportes como oficina mecânica, lavagem, funilaria, pintura e “posto” de abastecimento de combustíveis.

Paralelamente, Elizaldo Pozzeti construía a primeira Rodoviária (particular) em terreno localizado na confluência das atuais ruas João Pacheco de Lima e Osório Messias de Almeida.

A “Nova Rodoviária”, que substituiu os “Pontos de Ônibus” localizados em frente aos bares do Luiz Rego e da Dona Laura (estes bares provavelmente serão temas para outros “contos”), abrigava a agência de ônibus VAP (Viação Aprazível Paulista) e também era uma espécie de “mini shopping” com bares, sorveteria/sucos, eletrotécnica (rádio e tv), salão de beleza feminino, salão para cortes de cabelo e barba, alfaiataria, sapataria, açougue, serviço de alto-falantes, banca de jornais e revistas, tipografia, consultório dentário, bicicletaria, mercearia, etc.

E, nesse “universo” de prestações de serviços, comércios varejistas e de entretenimento estava o espaço do João Batista de Oliveira, popularmente conhecido por “João do Norte”, localizado frontalmente com o açougue dos Bastos (Antonio e Ercílio) e, no centro do vão lateral da ala, com o querido “jornaleiro” Joaquim Hipólito de Souza Filho (o “seu Joaquim”).

Pois bem: o “João do Norte” servia a seus clientes, entre outras guloseimas, um leite, “batido” no liquidificador, somente com açúcar. Uma delícia, algo comparado ao imaginário “nectar dos deuses”.

Eu, já na época “consumidor fidelidade”, depois de observar atentamente o preparo: o leite (da “jarra”) ao copo, do copo ao copo do liquidificador, a adição do açúcar (cristal), o tempo estimado das rotações do motor, girando aquela hélice cortante, tentei, por inúmeras vezes, repetir (em casa), sem sucesso, o feito do Senhor João. Confesso que pensei em pedir-lhe que me ensinasse, na teoria e na prática mas, apesar daquele jeito bonachão, dava para notar que havia “algum segredo”, então acabei me intimidando.

Tentei “copiar” o “fazimento” do “João do Norte”, ao longo de minha vida, mas sempre fiquei distante daquele sabor. Mas, num recente bate papo, relembrando os tempos idos, um “amigo do peito” acabou me contando o “segredo”: e, não deu outra, CONFIRMEI, NO ALVO, NA MOSCA.

O “SEGREDO”?
“Me perdoem, mas o próprio nome já diz: É “SEGREDO””!

“E TER MIL HISTÓRIAS PRA CONTAR”.

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